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Butantan firma parceria inédita para vacina brasileira contra dengue

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14-12-18-dengueO acordo entre o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD prevê, além de dinheiro, trocas de conhecimento para criar uma vacina mais potente contra a dengue

O Instituto Butantan assinou um acordo de colaboração tecnológica e em pesquisa clínica com a farmacêutica MSD para o desenvolvimento de vacinas contra a dengue. A instituição de pesquisa paulista e a empresa americana – que desenvolvem seus próprios imunizantes com base em uma mesma formulação elaborada pelos National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos – trocarão informações sobre processos produtivos e ensaios clínicos de suas vacinas experimentais, que estão em diferentes estágios de desenvolvimento.

A vacina desenvolvida pelo Butantan, com apoio da Fapesp, está na última fase de testes em seres humanos. Já a da MSD está na primeira etapa de ensaios clínicos, em que é avaliada em um pequeno grupo de pessoas.

Por isso, o acordo envolve um pagamento inicial ao Instituto Butantan de US$ 26 milhões por parte da MSD. A entidade brasileira poderá embolsar mais US$ 75 milhões à medida que a farmacêutica americana atingir marcos no desenvolvimento e comercialização de sua vacina experimental.

Por meio do acordo, o Butantan disponibilizará para a MSD o acesso às informações sobre os ensaios clínicos em curso até que ambos os parceiros cheguem a um nivelamento. Desse ponto em diante, a colaboração se dará livremente, ainda que cada um venha produzir sua própria vacina.

O pacto também prevê o licenciamento exclusivo de patentes relacionadas à vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan para a MSD, ainda que a empresa não venha a utilizá-las parcial ou integralmente. Se, durante o desenvolvimento de seu imunizante, a MSD obtiver patentes sobre sua tecnologia, o Butantan terá acesso gratuito a elas. A MSD não poderá comercializar no Brasil a vacina que vier a desenvolver e pagará ao Butantan royalties sobre as vendas dela no exterior.

“O acordo mostra que o Butantan atingiu um nível de excelência internacional no desenvolvimento de vacinas de interesse global. Com novos aportes financeiros, poderemos investir ainda mais em produção de vacinas e em pesquisa”, disse Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantan.

Em que pé estão as vacinas contra a dengue

As vacinas em desenvolvimento pelo Butantan e pela MSD são baseadas em cepas dos quatro sorotipos do vírus da dengue modificadas por pesquisadores do NIH. Uma formulação inicial líquida e congelada dessas cepas foi testada experimentalmente pelo NIH em animais e humanos e apresentou bons resultados.

Em 2009, o Butantan licenciou o uso dessas cepas virais atenuadas para desenvolver uma vacina a ser distribuída apenas no Brasil. E em 2014, a MSD licenciou o uso dessas mesmas cepas para desenvolver uma vacina para Estados Unidos, Canadá, China, Japão e União Europeia, entre outros países, à exceção do Brasil.

Como os vírus que usaram para o desenvolvimento da vacina eram os mesmos usados por colegas do NIH nos Estados Unidos, os pesquisadores do Butantan foram autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a começar o estudo clínico pela fase 2, em que é preciso demonstrar que a vacina é segura e capaz de desencadear uma resposta imunológica.

“Tivemos um avanço mais rápido justamente pelo fato de termos começado pela fase 2”, disse Alexander Precioso, diretor da divisão de ensaios clínicos e farmacovigilância do Instituto Butantan.

Fonte: Abril Saúde

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