Instituto Brasileiro de Ação Responsável

Fórum Nacional sobre Câncer debate incentivos ao diagnóstico e tratamento para mudar cenário atual

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PDR 0071O Instituto Brasileiro de Ação Responsável realizou, no último dia 18, o III Fórum Nacional sobre Câncer: tecnologia, interdisciplinaridade e suporte ao paciente. O evento recebeu autoridades e especialistas para debater a importância do diagnóstico precoce e a garantia do tratamento adequado, cuidados paliativos e suporte ao paciente oncológico. No Brasil, o câncer representa a segunda causa de morte, atrás apenas das cardiovasculares. A estimativa do INCA para o biênio 2018-2019 aponta a ocorrência de 600 mil casos novos de câncer por ano.

Mesa de abertura

Na opinião da presidente do Instituto Brasileiro de Ação Responsável, Clementina Moreira Alves, é preciso promover políticas e oferecer assistência integral ao cidadão. "Esse tema não tem relação partidária, pois é uma causa cidadã e que entra em debate às vésperas das eleições. Não vamos sair daqui com soluções, mas com certeza sairemos fortalecidos, com diretrizes e entendimento de novas políticas para combater o câncer em âmbito nacional", afirmou, Clementina.

O diretor de Normas e Habilitação de Produtos da ANS, Rogério Scarabel, revelou os desafios na regulação do setor, que atende uma em cada quatro pessoas no Brasil. "A ANS considera indispensável o incremento contínuo das ações de promoção e prevenção à saúde pelas operadoras de planos de saúde, especialmente no que diz respeito aos fatores de risco e ao estímulo à adoção de hábitos de vida saudáveis. Encontros como esse são importantes porque contribuem para formulação de políticas públicas e para melhoria da qualidade da assistência aos enfermos".

Na avaliação da Dra. Maria Inês Gadelha, da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, um evento que congrega diferentes visões é sempre muito produtivo para o setor. "O câncer exige uma integralidade assistencial que puxa para diversas profissões e disciplinas, o que facilita a aproximação de todos os que estão envolvidos com nosso objetivo de alcançar novas tecnologias e suporte ao paciente", explicou.

As experiências internacionais também foram tema de debate. A diretora técnica do Hospital de Câncer de Brasília José de Alencar (HCB), Dra. Ísis Maria Quezado, entende que elas elucidam maneiras de aumentar as chances de cura. "A leucemia linfoide aguda, um tipo muito agressivo dessa doença, tem hoje 80% de chances de cura, principalmente quando o diagnóstico precoce acontece em crianças. Lutamos pra que o Governo e o Estado ofereçam mais eficácia no abastecimento dos remédios em hospitais e postos de saúde. Eles fazem parte de nossos protocolos de tratamento", afirmou ela ao se referir a suspensão de comercialização em todo território nacional de alguns componentes essenciais dos protocolos de tratamento que impactam no prognóstico das crianças.

Mesa técnica

Na segunda mesa do III Fórum de Nacional Sobre o Câncer, os técnicos trocaram ideias sobre: a importância do diagnóstico precoce e a garantia do tratamento adequado; a garantia de recursos para ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento; a Medicina baseada em evidências aplicada à oncologia; aspectos regulatórios dos medicamentos oncológicos e o suporte ao paciente com câncer.

O médico toxicologista da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Dr. Jorge Sayde, afirmou que o Brasil tem muitas ações bem-sucedidas, mas que ainda é preciso avançar em diagnósticos. "Buscamos urgência em ações que favoreçam identificar a doença. No que tange o tratamento, a indústria farmacêutica tem nos oferecido o que existe de mais eficaz em todo planeta. O desafio é saber como o orçamento do Brasil será utilizado para promover o melhor tratamento para a população".

O acesso a informação foi defendido pela médica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, Dra. Karime Kalil. Ela ressaltou que identificar sintomas anormais do corpo podem ajudar no diagnóstico precoce e aumentar a porcentagem de cura da doença. “A população precisa tomar posse da sua saúde. Tomar responsabilidade pela sua saúde. Conhecer esses sinais de alarme. É tão fácil fazer isso”, destacou.

O médico da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Dr. Daniel Marques, fez um panorama do tratamento da doença na rede pública e lembrou da importância da disponibilização de exames para aumentar os índices de cura. “O diagnóstico precoce tem que ser visto com bons olhos mas os exames tem que estar na mão da equipe para que haja uma interdisciplinaridade e que possamos salvar uma vida”, defendeu.

O presidente executivo da Interfarma, Pedro Bernardo, ressaltou as políticas de sucesso de prevenção da doença, como a campanha contra o tabagismo, do Ministério da Saúde, que derrubou de 35 para 10% a porcentagem da população brasileira fumante. E lembrou de outras áreas que ainda devem ser exploradas como alimentação, obesidade e hábitos de consumo. Ele apresentou estudos que comparam os países na questão do diagnóstico precoce do câncer. “Nós ainda temos um espaço importante para avançar nessa questão do diagnóstico”, afirmou.

Participação popular

Ao final das exposições, o moderador da mesa abriu para as perguntas da plateia que lotou o auditório do Interlegis em Brasília. Quase 500 pessoas, entre profissionais da saúde, professores e estudantes se inscreveram para participar do evento.

O Instituto Oncoguia esteve presente por meio de sua fundadora e diretora-executiva, Luciana Holtz de Camargo Barros. Para ela, o Fórum fortalece a voz e as prioridades dos pacientes com câncer. "Parabenizo esta iniciativa altamente responsável, pois no Brasil falamos de 600 mil novos casos por ano e 18 milhões de novos casos no mundo. O que tem de muito triste nisso, é que dos casos descobertos no Brasil, metade está em estágio muito avançado para um tratamento efetivo. Precisamos definir novas estratégias para mudar essa realidade que certamente salvará vidas", concluiu Luciana.

Já o médico e coordenador-geral de Atenção Especializada, do Ministério da Saúde, Sandro Martins, destacou a multiplicidade de olhares sobre a situação oncológica do País. "Hoje tivemos debates proveitosos no intuito de apontar caminhos, como o desenvolvimento em pesquisas clínicas, ainda mais nessa transição de governo que vamos enfrentar adiante. O cenário não vai mudar a partir de janeiro, mas temos amplos horizontes para superar desafios e otimizar processos existentes atualmente".

 

RP/TC

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