Instituto Brasileiro de Ação Responsável

Modernização e mais acesso da população ao SUS são os maiores desafios da saúde no Brasil, dizem especialistas

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Mesa de aberturaCom o objetivo de divulgar a trajetória do Sistema Único de Saúde (SUS), o impacto e os desafios na história da saúde pública do Brasil, o Instituto Brasileiro Ação Responsável realizou, no último dia 26, em Brasília, o “Fórum Internacional - 30 anos do SUS e o autocuidado para promoção da saúde”.

Na ocasião, parlamentares, representantes de instituições, públicas e privadas, chegaram a um consenso: a modernização e maior acesso ao SUS, bem como o desenvolvimento de estratégias de autocuidado são, hoje, os principais desafios para a melhorar a saúde no Brasil.

Durante a solenidade de abertura do evento, a presidente do Instituto Ação Responsável, Clementina Moreira Alves, afirmou que o SUS é o reflexo da democracia. Segundo ela, no passado, somente quem tinha poder aquisitivo e carteira de trabalho assinada do país possuía acesso à saúde. Explicou, contudo, que após a Constituição Federal de 1998, que também comemora 30 anos, este ano, a visão da saúde enquanto produto e mercado foi substituída para a imagem da saúde enquanto democracia, um direito constituído de todo cidadão.

“Por isso, hoje, podemos refletir a importância de ser cidadão brasileiro e ter o SUS como uma ferramenta de política pública fundamental para o país, por conta da nossa diversidade e tamanho. O sistema é importante para muitas regiões do Brasil, as quais não temos a menor noção de como vive cada cidadão. Porém, acredito que, muitos deles, só vivem com qualidade e saúde porque têm a garantia do SUS em suas vidas”, afirmou Clementina Moreira.

Na avaliação do ex-ministro da Saúde, o deputado federal Saraiva Felipe (MDB/MG), muitas pessoas tentam depreciar o SUS, pois se aproveitam de problemas como insuficiência de recursos do sistema ou da sua necessidade de modernização para tentar descartá-lo por completo.

“Então, não é por causa de suas insuficiências e defeitos que devemos pensar em erradicá-lo. Quem pensa assim ou faz propostas nesse sentido, ao meu ver, não tem nenhuma sensibilidade social” , avaliou o deputado ao afirmar que o SUS precisa ser mais eficiente, eficaz e moderno para garantir um atendimento cada vez melhor a quem precisa.

O representante do Ministério da Saúde Allan Souza , por sua vez, falou dos avanços e conquistas dos SUS nos últimos 30 anos. Para ele, foram três décadas de muito esforço de gestores e da própria sociedade que têm se dedicado a entregar o que a Constituição Federal prometeu cumprir, no artigo 196, que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido por meio de políticas sociais e econômicas.

“Precisamos celebrar todas essas conquistas, são muitas e é difícil enumerá-las. Embora saibamos que existem grandes desafio a superar, foi graças ao SUS que conseguimos avançar na melhoria das condições de vida e de saúde da população brasileira, a qual reivindica para que o sistema fique, cada vez mais, acessível, moderno e acolhedor”, disse.

Também presente na solenidade de abertura do Fórum , o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Ferreira dos Santos, disse que o SUS é irmão gêmeo de outras conquistas do povo brasileiro: a democracia, a soberania. “A saúde saiu da condição de produto, para a condição de direito da cidadania. E é isso que estamos comemorando. Esses 30 anos comprovaram que a expectativa de vida no Brasil se tornou maior. Hoje, com o SUS, é possível viver mais e melhor”, falou.

O presidente da CNS também leu uma carta voltada aos candidatos à eleição de 2018 para que firmem, em suas propostas de governo, o compromisso em prol da defesa e do fortalecimento do SUS para os próximos quatro anos.

O representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) da Organização das Nações Unidas (ONU) Jaime Nadal Roig, afirmou que o foi por causa do enorme protagonismo do SUS que surgiram vários acordos internacionais em benefício da saúde das minorias (moradores de rua, baixa renda, LGBTs, entre outros) em todo o mundo. “Sem dúvida, o SUS representa um marco histórico das políticas de saúde no Brasil. Ele é um exemplo para o mundo. Sem ele, todos os acordos internacionais não seriam possíveis. Por isso, ele deve seguir fortalecido para que possa cumprir o seu papel de garantir a universalidade da saúde pública a toda população brasileira”, lembrou.

Ao final dos trabalhos realizados durante a abertura do Fórum, a assessora técnica do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Alessandra Schneider revelou que “a saúde é um elemento central para o desenvolvimento humano, social e econômico e de importante dimensão para uma melhor qualidade de vida da população”. Ela apresentou o trabalho desenvolvido pelo CONASS e as dez medidas que o conselho tem disseminado para a promoção da saúde. Uma delas, segundo a especialista, é concentrar esforços políticos e técnicos para enfrentamento dos problemas de saúde mais relevantes, como hipertensão, doenças cardiovasculares diabetes acidentes, violência, entre outros. 


A segunda parte dos trabalhos do Fórum recebeu especialistas da área da saúde que falaram sobre as conquistas e desafios do SUS; as ações para transformação e modernização, a importância das parcerias e as inovações; o Direito à saúde e as estratégias educativas para motivar o autocuidado. Participaram da mesa a coordenadora geral de base química e biotecnológica do Ministério da Saúde, Mirna Poliana Furtado de Oliveira; a assessora técnica da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição, Danielle Keyla Alencar Cruz, o promotor de Defesa da Saúde do Distrito Federal (PROSUS/MPDFT), Jairo Bisol, a coordenadora de projeto na ONG White Ribbon Alliance, Alexia Escobar e o coordenador geralz do Fundo Posithivo, Harley Nascimento. Os trabalhos foram mediados pelo procurador federal da Anvisa, Antônio Cesar Silva Mallet.
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